quarta-feira, 1 de julho de 2015

FROOT - Marina And The Diamonds - Resenha Faixa a Faixa

Olá a todos!
Essa é a primeira resenha que faço, espero que vocês gostem :)

Para estrear esse blog eu começo com a resenha do terceiro álbum de estúdio da cantora Galesa Marina And The Diamonds: FROOT.

O álbum foi lançado em 13 de março de 2015 e marca uma mudança musical de seu trabalho anterior “Electra Heart”, assemelhando-se mais ao seu álbum de estréia “The Family Jewels”.
Marina disse em entrevistas que logo que acabou de fazer o “Electra Heart” e lançou Primadonna como single, já sabia o que fazer com seu terceiro álbum e que ele deveria ser totalmente diferente do que Electra Heart foi.
Em vez de vários produtores e pessoas trabalhando nesse novo álbum, ela preferiu a companhia de somente um produtor (David Kosten).
Algo muito legal nesse álbum é que ele foi todo composto pela própria Marina (algo que é raríssimo hoje em dia) e também foi todo gravado com uma banda ao vivo, pois Marina achava que a maneira como as músicas soavam em estúdio era muito diferente de como elas soavam ao vivo.
O álbum é uma celebração à felicidade, e as músicas giram em torno desse universo.


 
01. HAPPY (Nota: 10)
And all the sadness inside me / Melted away / Like I was free”

Não haveria melhor maneira de começar esse álbum que com Happy, essa música resume todo o clima do álbum, Marina disse em uma entrevista que quando a depressão dela acabou, de repente ela se sentia feliz e ela nunca havia pensado que a tristeza não fizesse parte dela e é exatamente o que a música resume. Essa música se desprende de toda a tristeza que ela abordou em seus trabalhos anteriores (The Family Jewels e Electra Heart) e fala que ela finalmente achou o que ela estava procurando e agora pode ser feliz. A música deixa em aberto o que fez ela se tornar feliz tão subitamente, alguns dizem que um amor ou a religião, eu já gosto de pensar que o motivo dessa felicidade foi o reconhecimento como artista, que a fez perceber que ela pode ser feliz e que há sempre alguém “olhando sobre ela”. É uma música muito emocionante e eu a amo ainda mais por ser tão calma (amo músicas nesse estilo).
Era como se eu fosse sobrecarregada por alguma coisa durante toda a minha vida e então de repente isso acabou…. Eu não consigo nem explicar o quão maravilhoso isso é…. você de repente compreende porque pessoas são felizes e porque elas aproveitam as coisas. Eu acreditava que estar depressiva era parte de minha personalidade ou que eu nasci dessa maneira, mas é bastante chocante perceber que talvez esse não seja o caso.”


 
02. FROOT (Nota: 10)
I'm your carnal flower, I'm your blood rose”

Estranha. Se há um adjetivo que pode definir essa música, com certeza, é esse!
Quando eu ouvi essa música pela primeira vez eu só pensava o quanto essa música é completamente diferente de tudo que Marina já fez. E com certeza é uma ótima música, e mesmo hoje, tantos meses depois do lançamento, ainda me surpreendo como essa música que é tão boa quanto é estranha! Como resistir a Marina cantando “FRO-O-O-OT La La La La La La” com aquele som que lembra videogames 8 bits?
Quando foi lançada muitas pessoas achavam que a música era uma música bizarra que fala sobre sexo (inclusive eu e a Billboard), mas Marina em entrevista afirmou que a música é sobre encontrar a felicidade, e que tudo que ela queria era entrar num estúdio e criar uma música sobre felicidade que fosse realmente estranha, parece que ela conseguiu.
FROOT é um coringa. Eu acho que muitas pessoas supõem que é sobre sexo, mas não é.[...] É sobre estar pronta para a felicidade, e pronta para amar alguém, e estar totalmente realizada como pessoa. Eu gosto que essa seja uma mensagem positiva para começar [o álbum]. Eu precisava disso.”
Quando eu escrevi essa canção eu literalmente senti que estava pronta, […] Eu me sinto totalmente realizada como artista, e com minha identidade.”


 
03. I’'M A RUIN (Nota: 10)
And I could treat you better / but I'm not that smart”

É um pouco estranho uma música com esse nome num CD que fala sobre a felicidade não é? Antes de falar sobre ela quero dizer que eu penso nesse álbum não como um CD sobre felicidade mas uma jornada até ela, por isso não falará só como é ser feliz, mas por tudo que temos que passar até alcançarmos a felicidade.
I'm A Ruin é uma ótima música com um ótimo clipe (que me lembra Frozen da Madonna), e é o primeiro single oficial do FROOT (eu não estou criticando a escolha, pois é uma ótima música, mas por que ela lança FROOT primeiro, lança clipe e tudo mais, e depois vem falar que não era Single oficial?).
A música é como um pedido de desculpas para alguém, a música fala que ela só brincou com o coração da pessoa, e que mesmo essa pessoa significando tudo pra ela não quer mais ficar com ela pois está com medo de arruinar a vida dessa pessoa – autoestima zero.



04. BLUE (Nota: 10)
Gimme love, gimme dreams / Gimme a good self esteem”

Com certeza uma das melhores do álbum, mesmo sendo uma música falando sobre tristeza é uma das mais animadas.
Eu considero essa música como uma continuação de I’'m A Ruin, enquanto em I’'m A Ruin ela só quer se ver livre do relacionamento, em Blue ela diz que se arrepende de ter terminado tudo, não por que ela ama a pessoa, mas porque não gosta de estar sozinha e “quer ser abraçada quando está com medo”. Essa música tem bem mais atitude que a anterior, pois enquanto em I’'m A Ruin ela faz o possível para que a pessoa não se sinta mal, em Blue ela parece nem se importar com os sentimentos da pessoa, dizendo coisas como “Eu não te amo, eu não me importo”, “estou cansada de tudo que fazemos”. Ela só não quer se sentir triste, e qual o problema de brincar com os sentimentos dos outros para não se sentir triste?
 

05. FORGET (Nota: 9.5)
Yeah I've been dancing with the devil / I love that he pretends to care”

Eu não gostei dessa música da primeira vez que a ouvi, mas depois eu comecei a amá-la, ela tem uma pegada bem rock, e que funciona muito bem ao vivo. O que me faz gostar muito dela, além disso a parte “Yeah I’'ve been dancing with the devil / I love that he pretends to care” me lembra muito a música Hermit The Frog do The Family Jewels.
Eu interpreto essa música de duas formas:
1ª: Fim da trilogia I’'m A Ruin, Blue, Forget. Nessa música ela finalmente aceita que não pode continuar com esse amor que não a faz feliz. (sei que foi uma análise muito rasa).
2ª: Uma música de mudança de vida! Sim, essa música é como uma libertação de tudo que aconteceu com ela no passado que a fez se sentir mal com ela mesma, agora ela está disposta a deixar o passado para trás e seguir em frente, não se importando com os erros que possa ter cometido, “pois no final o caminho é longo, mas somente pois te faz forte”.


 
06. GOLD (Nota: 6)
Yeah I know that I need the Gold / But what I love can't be bought or sold”

Já adianto, eu tenho um preconceito enorme com músicas chamadas Gold, eu nunca consigo gostar de músicas com esse nome e sempre acho elas extremamente chatas.
Pra mim o que mais se destaca nessa música é o instrumental que é divertido, fora isso não é lá grande coisa.
É uma música sobre autoafirmação, é sobre não se deixar definir pelo dinheiro e riqueza e sim fazer o que ama.
Com certeza é a mais fraca do álbum, mas com o tempo você acaba aprendendo a suportar.


07. CAN'T PIN ME DOWN (Nota: 10)
Do you really want me / to write a feminist anthem / I'm happy cooking dinner / in the kitchen for my husband”

Essa explora um pouco mais o tema de não poder ser definida que começou na faixa anterior (o que diferencia é que essa faixa é muito melhor).
É uma música muito legal que fala sobre como ela nunca será nada que os outros esperam dela, que nunca se renderá a pressão exercida por outros para se encaixar e que ninguém nunca poderá fazer ela se sentir diminuída (indiretas para a antiga gravadora que queria que ela soasse mais comercial em Electra Heart?).
Destaque para o verso “Você realmente quer que eu / escreva um hino feminista? / Estou feliz cozinhando o jantar / na cozinha para meu marido”, verso que retrata bem o tema da música que é não se render a pressão de outros e ser sempre fiel a si mesmo (não entendam isso como uma crítica ao feminismo, a própria Marina já disse ser feminista, mas, como eu acredito, o feminismo é o direito de todos puderem fazer o que quiserem e acharem certo com seu corpo e sua vida, então qual o problema se uma mulher está feliz cozinhando para o marido?)


08. SOLITAIRE (Nota: 8)
Hard like a rock, cold like a stone / White like a diamond, black like coal / Cut like a jewel, yeah I repair / myself when you're not there”

Meu hino!
Acho essa música totalmente deslocada na tracklist, talvez se ela fosse a 3ª ou 4ª faixa do CD funcionaria melhor….
Essa música poderia entrar fácil no Electra Heart pelo seu tema de pessoa solitária e endurecida pela vida, na verdade, ela se aproxima muito da temática do Electra Heart. Essa canção me lembra muito a música The Outsider do The Family Jewels.
Essa música fala sobre o fim da turnê de “Electra Heart” quando Marina voltou para Londres e se isolou do mundo “Eu realmente não queria falar com ninguém” disse ela em estrevista.
Também me lembra muito a música Are You Satisfied? do The Family Jewels (And it’s my problem if I have no friends / And feel I want to die).


09. BETTER THAN THAT (Nota: 9)
Well, I guess it's just what human do / Hook up with other people / Until it all falls through”

“Bad Blood versão Marina And The Diamonds”. Não! Essa música não tem nada a ver com Bad Blood da Taylor Swift. Enquanto a música da Taylor acaba tendo um tom meio triste pelo fim da “suposta” amizade, Better Than That é bem mais agressiva e cheia de alfinetadas.
Na primeira vez que a ouvi eu pensei que essa não era somente uma música para alguém mas, na verdade uma autocrítica da Marina (leiam a letra da música e não considerem a ponte para verem o que estou falando). Nessa música ela fala de uma garota que só sabe usar os outros para conseguir o que quer, talvez por causa da baixa autoestima dela (Electra Heart feelings?).
Marina disse que essa foi uma das primeiras canções que ela escreveu para o FROOT e que foi como uma amostra para como o álbum seria.
Obs.: Acho hilário ela cantando: “But You / YOU! CAN DO! BERÉR DEN! / YOU! CAN DO! BERÉR DEN DÉ!”


10. WEEDS (Nota: 9)
You know the problem with history / It keeps coming back like weeds”

Essa música tinha tudo para ser uma música normal sobre amor para mim, até que ela começa a cantar “Could have filled a garden / With all the flowers that you gave me”, sério, é um começo mais que perfeito, e cheio de emoção (Tudo bem, é somente mais uma música de amor e eu estou exagerando, mas é tão linda).
Nessa música ela lembra tudo que viveu lá atrás e fala que o problema com o amor é que uma hora ou outra ele volta como ervas daninhas no jardim que é o nosso coração (meu Deus, que poeta estou hoje) nas horas mais importunas, sempre quando pensamos que todo o amor que tivemos por alguém acabou, ela acaba voltando e te lembrando de toda a felicidade e dor que passou com essa pessoa.
Obs.: Admita que você pensou que a música falava sobre drogas quando ela liberou a tracklist!


11. SAVAGES (Nota: 10)
I'm not afraid of God / I am afraid of man”

Confesso que estava morrendo de saudades de toda a acidez e cinismo da Marina até chegar nessa faixa, o que posso falar sobre ela? Com certeza é minha favorita do CD (Também é a favorita da Marina, seguida por Happy).
É difícil escolher uma frase para definir essa música, a letra, com certeza é uma das melhores da Marina. Super recomendada!
Fala sobre como nós, seres humanos, mesmo com toda nossa tecnologia, cultura e roupas, somos apenas selvagens, com medo do mundo ao nosso redor e matando para sobreviver.
Muitas vezes nos achamos superiores aos animais, e até nos ofendemos ao sermos chamados de animais, mas, na verdade, fazemos muitas vezes pior que os animais, eles, pelo menos, são mais graciosos que nós.
Obs.: Amo a maneira como a Marina se refere aos humanos em 3ª pessoa, como se ela não fosse parte disso.
 

12. IMMORTAL (Nota: 8)
We wanna be remembered / Don't wanna live in vain / But nothing lasts forever / This world is in a losing game”

Medo da morte. O que acontecerá quando morrermos? No final dos meus tempos quantas vidas eu terei tocado? Qual será meu legado? Quem se lembrará de mim?
Imortalidade, o que todos nós queremos. Várias vezes nos perguntamos o que acontecerá quando morrermos. Esse é o tema central da música, a dúvida de como conseguiremos deixar nosso legado.
Estamos sempre correndo atrás do tempo, querendo poder viver para sempre, nunca pensando na morte, mas a triste verdade é que todos morreremos, e no final, tudo que restará de nós, é a lembrança nas mentes das pessoas que tocamos, e essa é a verdadeira imortalidade, saber que mudamos a vida de alguém.
Esse é um assunto bastante universal, como você deixa sua marca e como é importante preservar as memórias e lembrar das pessoas. Eu comecei a compor essa canção quando eu visitei um memorial da guerra na Polônia. […] Eles disseram 'Não é um memorial muito bonito, mas merece ser visitado para manter a memória deles vivas.' E foi assim que a canção – a letra – começou.”
Essa não é a melhor música do álbum ou da própria Marina, não me entendam mal: a letra com certeza é linda, inteligente e emocionante, mas a produção da música não é das melhores, e ela acaba sendo a mais cansativa do álbum... uma pena pois a letra é totalmente incrível.

E assim acaba esse álbum, Marina continua criando álbuns com letras e músicas inteligentes e divertidas, isso somado ao fato de ela ter composto e co produzido o álbum sozinha só nos mostra mais de como essa galesa é uma das melhores cantoras da atualidade.

NOTA: 9,2



E aqui acaba minha primeira resenha, espero que vocês tenham gostado! Comentem e compartilhem!
Até mais com mais uma resenha!

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